Deixe-me ir
sábado, 26 de novembro de 2016
Procuro vontade de algo, procuro entusiasmo, procuro energia. Após uma viagem não tão incrível assim, retorno ao meu velho mundo e a rotina que 2016 me impôs. Conto os dias para que este ano acabe, conto as horas para respirar 2017. Sinto que preciso me nortear de novo, preciso tomar as rédeas da minha vida, mas tudo parece tão distante... Pior, tão difícil. Com graças de Nossa Senhora sou abençoada diariamente e agradeço por isso. Mas peço força e coragem para continuar, para esquecer, para não guardar nada do passado comigo. Pela segunda vez na vida não sinto vontade de fazer absolutamente nada, mas desta vez é pior. Na primeira, ainda estando na faculdade, sabia para onde continuar andando (era preciso concluir o curso, me formar), mesmo com todo o marasmo, o destino não me era incerto. Agora, para onde vou? O que devo fazer, para onde ir, como fazer, porquê, até quando, com quem...??? Eu não sei nada. Que angústia!
sábado, 8 de outubro de 2016
Cinco meses e alguns dias já se passaram, mas parece que foi ontem. Tudo, absolutamente tudo o que eu quero é esquecer os detalhes (pelo menos os detalhes). São eles que me matam, que me machucam, que me consomem. Tenho pressa, mas sei que não devo. Pelo menos é o que todo mundo me fala: tudo tem seu tempo. Estou de saco cheio disso, estou exausta. Quero a minha tranquilidade de volta, prezo tanto pela minha paz... Rezo todas as noites e todos os dias, mas acho que ainda não é o suficiente. É difícil apagar e deixar de lado toda a vida que você planejou durante tanto tempo com tanto carinho e esmero, um cuidado que jamais tinha depositado em qualquer outra coisa. Fui realmente delicada com isso, afinal, seria uma mudança a passo largo em minha vida que envolveria trabalho, religião, costumes e família - eu sabia que não seria fácil. E não foi. Mas tive tempo para me preparar e a cada dia tentava consolidar a certeza que me levaria a tão longe. Consegui. Eu consegui, estava onde eu queria, com quem queria, fazendo o que tanto sonhei um dia. Estava feliz? Definitivamente não. Na verdade, foram os piores três meses da minha vida. O que me impedia de enxergar isso? Meu Deus, eu não sei! Talvez eu não quisesse admitir isso, neguei para mim mesma e a cada dia que eu acordava eu pensava: hoje será melhor. Mas era como se o destino gozasse comigo... Tantos porquês apareciam na minha cabeça que eu nem dava conta. Esses mesmos porquês ainda vagam por aqui, não com tanta intensidade, mas permanecem vivos e acho que assim se manterão, pois não consigo lhes dar respostas. Eu não as tenho. Preciso de novos planos, novas escolhas, novo destino. Preciso retomar a minha vida de onde parei, eu sei, mas tá tão difícil... Falo para mim mesma: o que você viveu foi uma ilusão, não existe mais, anda, segue em frente, vai rir de novo, vai criar, volta a ler e a imaginar um novo mundo, o mundo que você quiser pode ser seu, não era assim que você pensava antes de tudo isso acontecer? Não pare, você não está velha demais nem feia demais. Você está viva! E a vida passa tão rápido... Ela é um presente que Deus nos dá antes de entrarmos na eternidade. Faça coisas boas, algo para se orgulhar. Faça por você. Saia da concha novamente... Você já sabe o caminho.
domingo, 21 de agosto de 2016
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
"Vai passar..."
Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca...
Preciso me encontrar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar
Assinar:
Postagens (Atom)